terça-feira, 22 de agosto de 2017

MEMÓRIAS MINHAS: "MISS PORTUGAL EM BANGUECOQUE

Durante vários anos (ainda hoje) estive activo na informação e, principalmente como é óbvio no que se refere à presença e visita na capital tailandesa de pessoas do mundo lusófono. Falei e entrevistei várias personalidades para a “Tribuna de Macau” e “correspondente”, por 12 anos, da Agência Lusa Ásia Pacífico, sediada em Macau.
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Fui elo de ligação de vários jornalistas portugueses , da RTP, de revistas e jornais. Faço jornalismo de reportagem por amor e nunca por dinheiro. O montante dos meus honorários sempre os tenho deixado ao critério daqueles que tenho servido.
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No fim do mês de Abril de 1992 chegaram as mais belas do mundo, a Banguecoque, para a realização do concurso da “Miss Universo 1992” que iria ter lugar no espectacular “Queen Sirikit’s Convention Center”. Portugal esteve representado com a Fernanda Silva, de 18 anos, que havia sido eleita “Miss Portugal 91”, no Casino Estoril.
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Tive conhecimento da concorrente portuguesa, no evento, através dos jornais diários “The Nation” e “Bangkok Post”. Oficialmente nada tinha sido comunicado à Missão Diplomática Portuguesa. Tão-pouco a Fernanda tinha alguém com ela, por exemplo, um “public relations”.
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Não sosseguei (até porque era notícia, rara, uma miss lusa no “País dos Sorrisos” enquanto não tivesse a oportunidade de falar com a mais bela de Portugal em 1991. As concorrentes ficaram hospedadas no “Dusit Thani Hotel” no centro de Banguecoque. 
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Mas conseguir chegar à concorrente portuguesa?A recepção do hotel não me fornecia o número do seu quarto e as informações que ia recolhendo era muito parcas. Apenas as transmitidas pelos canais de televisão e jornais.
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As “misses” foram bem “agasalhadinhas” para que não fosse por aí, alguma, perder-se de amores por algum “Leonardo di Cáprio” de ocasião  e pôr-se na “alheta” com ele. Com isto o evento desfalcado de concorrentes e o programa, em parte, estragado.
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Na altura que as misses dirigiam-se para o autocarro e o passeio quotidiano para “spots” publicitários, furei a segurança e a uma miss, qualquer, perguntei quem era a miss Portugal. Esta expressou-se em língua espanhola e indicando-me a beleza lusitânia.
A miss, a quem perguntei, sem  o saber era a Natasha Gabriel-Arana, e a mais “hermosita” da Bolívia em 1991. Mais tarde, venho ter conhecimento ser a companheira da Fernanda Silva ocupando, as duas, o mesmo quarto do hotel.
Esquerda para a direita: Ermelinda Galamba de Oliveira, Adida Cultural da Embaixada de Portugal, Fernanda Silva, Miss Portugal,Ana Maria Tavares, número dois do Hotel Hyatt  e miss Bolívia
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O número do quarto, o almejado por mim, não o consegui naquela manhã, e muito menos o ter tido a oportunidade de ter falado, na ocasião (quando  a miss Bolívia me indicou) com a  “linda” de Portugal. Alas! A lâmpada do Aladino acendeu-se!
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Lembrei-me que tinha uma amiga, tailandesa, a Arporn que era a “sales manager” para o “Dusit Thani” na praia de Cha-am”, a 200 quilómetros da capital tailandesa e graças a ela consegui saber que a Fernanda Silva ocupava o quarto número 653.
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No dia 30 de Abril mandei à Fernanda um fax para o hotel com o número do quarto 653, transmitindo-lhe as minhas felicitações; coordenadas dos meus contactos e a intenção de publicitar a sua passagem e integração no concurso para a eleição da “Miss Universo92” em Banguecoque.
Junto ao hotel  Hyatt Erawan. Minha filha Maria Martins junto, na altura com 6 anos.
À noite telefonou para minha casa e ficou combinado que todos os dias me daria as informações das actividades das misses e, estas, seriam em conformidade com as que pretendia  enviar para a “Tribuna de Macau”.

TÉCNICOS PORTUGUESES EM BANGUECOQUE E A MISS  PORTUGAL

Havia já dois anos que um grupo de portugueses, ao serviço da empresa francesa “Bouygues” dirigiam a construção de um complexo industria e habitacional para cerca de 700 mil pessoas. 

Torres construídas pela direcção de técnicos portugueses - Muangthon Thani, nos arredores de Banguecoque. 
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Em 29 de Fevereiro, do mesmo ano, era publicado na “Tribuna de Macau” uma  correspondência de minha autoria:
“Técnicos portugueses dirigem construção de um complexo industrial e habitacional, não muito distante do Aeroporto Internacional de Don Muang, em Banguecoque, que no futuro, será o local de trabalho e residência de 700 mil pessoas.
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Estes emigrantes, já não são aqueles, que o Almada Negreiros, com a sua sensibilidade, retratou no fresco da Gare Marítima de Alcântara, ou os de que fala Ferreira de Castro na sua obra “Emigrantes”, mas gente bem instalada na vida, conseguindo a especialização através da persistência, e da prática, que lhes permite serem os “braços direito” de engenheiros-directores de grandes projectos.
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São profissionais altamente qualificados, ao serviço da multinacional francesa “Bouygues”, com empreendimentos nos cinco continentes. Pessoas simples – a sua instrução não foi mais que uma modesta quarta classe de instrução primária – mas especializados em termos técnicos por anos e anos de “saber de experiência feito”.
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São naturais do Minho, Trás-os-Montes, Litoral e Beiras, com tradições e raízes bem vincadas, apesar de terem saído de Portugal, há mais de uma vintena de anos, numa altura em que, como todos sabem, Portugal atravessava fase de grandes dificuldades .
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Alguns passaram legalmente, outros “a salto”, mas as dezenas de anos em França não os afrancesaram – continuam a ser “prata da casa” genuinamente portuguesa.Hoje estão na Tailândia.
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Não vieram para construir casas “sino-portuguesas” no antigo reino do Sião, como as construiram os portugueses do século XVIII, que as poucas que vão resistindo a destruição, para dar lugar a outras, continuam a ser uma obra prima da arquitectura lusa, mas um complexo industrial gigante.
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O correspondente da “Tribuna de Macau” almoçou no domingo, com estes emigrantes de Portugal na Tailândia, em franca e animada camaradagem. No almoço não faltou o cozido com todos, que se mostrava bastante genuíno, apesar da cozinheira e esposa de um dos emigrantes se queixar de não ter conseguido a couve galega. 
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Na ementa constava ainda: perna de cabrito assado, caldo verde, e queijo da serra, como sobremesa. Tudo bem regado com vinho verde a maduro de boa qualidade. Desconheciam a história da presença portuguesa na Tailândia, e o facto de terem sido os portugueses os primeiros europeus a fixarem-se em Ayuthaya a partir de 1511. E logo ali se combinou uma visita às ruínas das igrejas do ainda hoje denominado “campo português”, uma viagem que nunca deixou de me orgulhar.”
José Martins
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Uns dias antes tinha comunicado ao Embaixador Castello-Branco (trabalhei directamente com o diplomata 7 anos consecutivos na Embaixada de Portugal em Banguecoque) que na cidade havia 14 portugueses a dirigir as obras do futuro parque industrial do área de Don Muang empreitada adjudicada a uma empresa francesa. 
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Traga-me cá esta gente para que os cumprimentar e lhes ofereça uma merenda na Residência (Nobre Casa), foi a sua resposta.
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Visitei o grupo e comuniquei-lhe se estariam livres para vir cumprimentar o Senhor Embaixador no próximo domingo, à Embaixada e, ao mesmo tempo a informação que estava em Banguecoque a Miss Portugal e, que dado a eleição ser no próximo sábado, a jovem portuguesa já me tinha prometido que esse dia estaria à disposição de se encontrar com os portugueses, na sua prometida, visita à Missão Diplomática Portuguesa..
As misses Portugal e Bolívia, embaixador Castello-Branco, técnicos portugueses e suas famílias.
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Todo o grupo fica eurófico ( os portugueses fora do país são assim mesmo) e desejam ver de perto a nossa miss e conversarem com ela. Comuniquei à Fernanda o recado dos nossos emigrantes desejarem confratenizar com ela durante a sua permanência na Embaixada para cumprimentar o Senhor Embaixador.
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A alegria da Fernanda foi espontânea, brilharam-lhe os olhos e fica decidido que depois de almoçarmos no Hyatt Hotel, um convite da Ana Maria Tavares, portuguesa e a número dois na gerência do luxuouso hotel, seguiríamos para a Embaixada.Tudo absolutamente programado... 
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Porém mal eu sabia o “raspanete” que dois dias depois iria ouvir do meu embaixador Castello-Branco. Bem, é que eu queria-lhe fazer uma surpresa e, apenas lhe transmitir na sexta feira, que a miss Portugal se ía juntar aos portugueses na Embaixada e, isto seria, quando deixasse as minha funções na Embaixada para o descanso semanal.
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Acontece que o embaixador do México ofereceu uma recepção no “Dusit Thani Hotel” à mais bela do seu país e convidou os embaixadores acreditados no Reino da Tailândia. De facto o Representante de Portugal não sabia que em Banguecoque estava a miss Portugal. Penitencio-me pela minha falta de  não lho  ter transmitido....
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Durante a recepção, pelo embaixador do México o meu embaixador teve conhecimento que ali estava a miss Portugal. Surpreso pediu, ao seu colega, para lhe ser apresentada a Fernanda Silva. Depois de a ter cumprimentado ela inocentemente diz-lhe: “ Senhor Embaixador eu estou convidada para no próximo domingo visitar a Embaixada!
Ai está? Quem a convidou? Foi o José Martins.
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Na manhã do dia seguinte, como habitualmente, recolhi o expediente, do dia anterior e coloquei-o, impecávelmente, em cima da sua mesa de trabalho. Junto às 9 horas da manhã recebi um telefonema, do embaixador Castello-Branco, do seu gabinete, a chamar-me. Pela voz grave e sem a habitual, saudação matinal, a que estava habituado com um bom dia, agradável, apenas o: “venha aqui!”
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Durante os escassos metros que me separava o meu local de funções e o seu gabinete perguntava a mim próprio: “ o que será, o que será...alguma engano meu dentro das minhas funções....”
A porta do seu gabinete de trabalho estava aberta e mal tive tempo de lhe dar os bons dias....
Com um olhar grave para mim: “ oxalá você não pode convidar ninguém para a Embaixada ouviu?” “ Você convidou a miss Portugal para visitar a Embaixada!
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Lá consegui, depois daquela turbulência de palavras dirigidas a mim, explicar-lhe que apenas lhe desejaria fazer-lhe uma surpresa e que lho transmitiria na sexta feira.
Miss Universo, uma linda e esbelta rapariga da África do Sul

O embaixador Castello-Branco tornou-se afável e compreendeu a minha boa intenção e, diz-me: ontem passei a noite com a miss Portugal (claro durante a recepção no Dusi Thani Hotel).
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A minha resposta, maliciosa, na ponta da língua: “que sorte teve senhor embaixador!......”
Olhou para mim e, com um “brilhozinho nos olhos”, sem dizer uma palavra sorriu-se.... Foi esta a única  vez que se sorriu para mim durante os quatro anos que já o servia!
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Não deixo porém de ainda hoje ter uma grande admiração por ele, na parte profissional, dado que muito aprendi, pelos ensinamentos que me transmitiu.
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Naquela manhã a Fernanda Silva telefonou-me a transmitir-me que a pobre e desamparada miss Bolívia não tinha ninguém em Banguecoque e que não a queria deixar só e se a poderia levar, também, com ela à Embaixada de Portugal.
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Do meu gabinete falo pelo telefone, interno,  ao embaixador Castello-Branco: “senhor embaixador a nossa miss pergunta se pode trazer com ela a miss Bolívia....." Claro que sim e transmita à miss Portugal que traga as misses que ela quizer à Embaixada!
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A  miss “Bolívia92”, assim como a miss “Portugal92” estavam muito carentes de apoio e carinho na “Cidade dos Anjos”. Como caído do céu aos “trambolhões” apareci-lhes eu que tudo fiz, dentro das minhas possibilidades, dar apoio às lindas meninas.
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Não se pense, porém, por aí que tudo que as “misses” pisam é um tapete de flores de jasmins perfumados!
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Para a miss Bolívia chegaram-lhe às mãos, através de mim, vários faxes de suas e seus admiradores que anexo dois.
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De Portugal ou de outro lado nenhum me chegou para entregar à Fernanda Silva.
Ingratidão Lusa!
José Martins

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

MEMÓRIAS MINHAS - MISSES MACAU (1990) NA TAILÂNDIA




Memórias tenho muitas e de muitos anos que já levo (40) neste Reino da Tailândia. Outra coisa não fiz do que servir gente de várias nacionalidades e Portugal, a minha Pátria também. 
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Corria o ano de 1990,Macau, administrado por Portugal, vieram à Tailândia, em passeio, as Misses Macau90. Para reportar, o evento junto com as beldades macaenses, o jornalista Gilberto Lopes da "Tribuna de Macau", do qual jornal, por vários anos, fui correspondente na Tailândia. 
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Acompanhei e dei assistência ao Gilberto Lopes, o fax da Embaixada de Portugal este ao dispôr para enviar as peças para a "Tribuna de Macau". Hoje embrenhei-me nas fotografias do meu arquivo, onde residem mais de 30 mil fotos que registam vários géneros de eventos, culturais, comerciais, desportivos, de viagens e mais outros avulsos.
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Acho que os mesmos devem ser divulgados, porque além de ser interessante mostram como eram os tempos em que a Internet nem sonho ainda era.... MIsses Macau estiveram hospedadas, em hotel de 5 estrela, na margem direita do grande rio Chao Prya e dali partiram para várias localidades onde, as jovens se divertiram. 
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Para obtenção de imagens a minha Nikon F3, profissional, que conservo como relíquia que tão excelentes pedaços de tempo me haja dado. Seguem imagens, legendadas da presença das Misses Macau na Tailândia.

Gilberto Lopes, jornalista da "Tribuna de Macau" para a cobertura jornalística.
 As beldades de Macau perfiladas para a fotografia
Eu junto às belezas com menos 27 anos... diacho!  O tempo passa depressa....
Ahhhhhhhhhhhhhh como a mocidade é linda!!! Acredito que parte destas belas já são avós!
Lindas as meninas e misses de Macau em 1990
Aqui as misses numa bargue a navegar do rio Chao Prya
Benza-as Deus tão perfeitinhas que elas eram....
Juntinhas ao pé do elefante...
Chapinhando com os pés a água da piscina do Hotel Shangri-la, na margem direita do Chao Prya
Elas, as misses, junto ao tigre...
As belas na tromba do elefante..
Uns amores de jovens...
A minha filha Maria Martins, coloca as mãos no dorso de um elefante bebé
Quatro caras lindas de morrer...e não são do Porto, mas de Macau!
No espectáculo dos crocodilos...
O operador de câmara da TDM, ainda com as Quinas.

domingo, 20 de agosto de 2017

PORTUGAL NA TAILÂNDIA - 200 ANOS, DE PRESENÇA, NA ERA DE BANGUECOQUE"




Aproxima-se a bonita idade de 200 anos que Portugal re-encetou relações diplomáticas com o Reino da Tailândia. 
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A primeira ligação dos portugueses com o Reino de Ayuthaya tem lugar nos longíquos anos de 1511, cuja efémerida foi celebrada, com pompa, em 2011, com vários eventos culturais em Banguecoque, um em Ayuthaya e outro desportivo com Sporting Club de Portugal num jogo com uma selecção tailandesa realizado num estádio Nacional da capital tailandesa.
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Portugal é a primeira nação, da Europa, travar relações diplomáticas com a Tailândia e continua a ser na era de Banguecoque, isto porque a segunda capital da Tailândia, Ayuthaya foi invadida, pelas tropas do Reino do Pegú (Myanmar) em Abril de 1767, viria a cair e em 1782 estabelece-se um novo reino e dá, assim, a continuação da Tailândia moderna de hoje. 
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A comunidade portuguesa, na caída de Ayuthaya e a formação e a continuação do novo reino, nunca abandonou a Tailândia como a Chinesa e a Malaia e por tal se os Reis de Ayuthaya nutriam larga simpatia pelos portugueses redobrou em Banguecoque, Rei Rama II ofereceu a Portugal uma larga parcela de terreno onde hoje se encontra instalada a Missão Diplomática Portuguesa. A seguir segue, cópia do auto de  entrega.
 Penso, entretanto, que algo já estará agendado para que a celebração dos 200 anos, da primeira missão diplomata, de país estrangeiro, fundada em Banguecoque, tenha o brilho das celebrações dos 500 anos da chegada dos portugueses a Ayuthaya, cujas depesas, praticamente, as suportou, simpaticamente, a Tailândia. 
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Deixo aqui mencionado que todos os Reis da Tailândia, quer na era de Ayuthaya como na de Banguecoque, hajam tido larga consideração por Portugal e menciono que Sua Majestade o Rei Bumibhol Adulyadej (falecido em 13 de outubro ano passado e cremado próximo 26 de outubro), quando da entrega das Cartas dos Embaixadores de Portugal lhes concedia mais tempo do que a outros diplomatas de diferentes nações. 
José Martins

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

"MÓVEIS DO PALÁCIO DA AJUDA QUE NUNCA CHEGARAM A BANGUECOQUE - TAILÂNDIA"


Bem os móveis do Palácio Nacional da Ajuda sairam e assim o prova o recibo de entrega. Porém os móveis nunca chegaram à Embaixada de Portugal em Banguecoque! Não sei qual seria o propósito do embaixador Renato Pinto Soares mobilar uma casa que estava, praticamente, em ruínas e no salão principal funcionava como serviço de Chancelaria que deixou de funcionar em 1982. Em 1976, depois de dois anos do 25 de Abril de 1974, já não havia dinheiro, em Portugal para fazer tocar um cego, muito mais para mobilar um edifício em decadência. O assunto não é tratado por canal oficial, mas sim, particularmente, entre dois diplomatas.Onde moram as mobilías? Sou Deus sabe!!!
José Martins



domingo, 13 de agosto de 2017

PORTUGAL NA TAILÂNDIA: "SAGA DE DESTRUIÇÃO"



Escrito sexta-feira, 4 de outubro de 2013

RETALHOS DA MEMÓRIA

Amigo meu, Vasco Galante, funcionário do Parque da Gorongosa em Moçambique e residente em Banguecoque, enviou-me, recentemente, as quatro fotografias abaixo aposta que desconhecia. As imagens foram tiradas pelo famoso fotógrafo português J. António que além de ser o fotógrafo da Casa Real de S. M. o Rei Chulalongkorn foi proprietário de um estúdio fotográfico na rua Chalerm Krung e a pouco distância da Embaixada de Portugal. Vasco Galante obteve as fotografiaAQUI
 




A MARGEM: A residência dos embaixadores de Portugal na Tailândia que antes serviu de consulado e embaixada, onde funcionavam o serviço de chancelaria, tem sofrido impiedosos desmantelamentos da sua originalidade, por alguns embaixadores acreditados depois do embaixador, falecido, José Eduardo de Melo Gouveia que tomou conta do posto a 8 de Agosto de 1981. 
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De palheiros à volta do terreno doado pelo Rei da Tailândia 1782 e oficializado em 1820, embaixador Melo Gouveia, com ajudas (nenhuma do Estado Português) conseguiu dar dignidade, não só à residência como assim ao jardim. 
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Porém o Diplomata Português, o melhor sem dúvida, que passou por Banguecoque desde a fundação da representação em 1820, procurou, mesmo levando a cabo remodelações, não alterar as raízes como residência foi construída.
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Inclusivamente levantando paredes, com blocos de cimento, deixou ficar a tijoleira, a memória de um passado. Era o orgulho de um embaixador que veio para a Tailândia para dignificar o nome de Portugal. 
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Veio tomar o lugar do Embaixador Renato Pinto Soares, que para passar o tempo no jardim (entre silvados), passeava o seu cãozinho lú-lú. Isto é real porque o embaixador Renato deixou (ou esqueceu-se) um filme de 8 milimetros e foi visto por mim, dado que era eu que operava os projectores de slides e a máquina de cinema, oferecida pela Fundação Calouste Gulbenkian. Eu e o embaixador Melo Gouveia gozavamos com aquelas patéticas imagens de um embaixador a passear com o lú-lú!
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Embaixador Melo Gouveia é acreditado no Japão, onde viria a fazer grande obra e toma-lhe o lugar Embaixador Castello-Branco, que desde logo começou a alterar tudo que embaixador Melo Gouveia tinha efectuado. 
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Mesmo ano e passado seis meses embaixador Melo Gouveia vem a Banguecoque e cumprir a promessa que viria consoar com seu sucessor o embaixador Castello-Branco, mas chega a Banguecoque e vê já estragos na sua obra e foi uma Ceia de Natal, conflituosa! Quase que andaram à pancada!  Nunca mais se falaram e odiaram-se! 
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Castello-Branco dividiu a chancelaria em quartos (ali se realizaram eventos culturais com 150 pessoas sentadas) e aquilo a que eu lhe chamei: "cortelhos de porcos". 
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As cornijas de ripinhas de madeira de teca, da residência, que estavam lá há 130 anos, manda retirá-las, substituídas por amianto (não sei se ainda lá está o amianto) e com estas manda fazer vitrinas/armáriozinhos para levar para Portugal e ofereceu um ou dois a um Governador de Macau (tenho imagens sobre isso e não escrevo nada sem ter provas).
Castello-Branco foi o primeiro destruidor do Património.
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Embaixador Mesquita de Brito, bom homem (nem lá vou nem faço nada...) praticamente não buliu em nada, apesar de grandes cheias em 1995, conseguiu reparar os estrajos com uns 10 mil dólares.
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A Toma-lhe o lugar embaixador Tadeu Soares (seu primeiro posto com embaixador) e na sua bagagem está incluído um camartelo para continuar a saga da destruição. Estoira com o telhado da chancelaria, rebenta com os ouvidos aos funcionários porque no telhado operários destruiam, à martelada, o que estava feito. 
Continua com tempo

sábado, 12 de agosto de 2017

"LOPO SOARES DE ALBERGARIA VEIO À ÍNDIA DE HONRA MINGUADA"


(....que qualquer cabrão que errar queimá-lo, assá-lo e crucifixá-lo...)
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Os fidalgos da Índia, os homens da confiança do rei e expedidos depois de 1500, nem todos, terão tido um comportamento honesto e fiel com a Corte. 
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Documentos da época, arquivados na Torre do Tombo dão conta de prevaricações com fundos da monarquia e crimes de peculato. O abuso do Poder terminava (em alguns porque tambem por lá havia gente honesta), sempre no roubo, comum, durante a comissão de serviço de uns cinco, seis anos ou até mais.
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Os fidalgos têm como objectivo regressar ao Reino: “ricos, famosos pelos feitos que não praticaram e sonham com a compra de um solar e terras, algures, numa província da pátria com o produto, angariado através da ´pilhagem´. 
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Chegados a Portugal, aqueles que não foram desmascarados teriam sido pessoas altamente respeitadas, poderosos, oligárquicos, latifundiários e feudatários que ostentando poder colocavam e obrigavam, mercê de tão enorme influência perante a corte e autoridades regionais onde se instalaram, o “povoléu” a trabalhar para eles nas suas terras que lhe arrendavam e pagar-lhes, com isto, a tença.
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Fenómeno, social, mantido em Portugal desde o princípio da fundação da nacionalidade, que apoiados pela monarquia e depois, continuado (mais ou menos sofisticado) depois da implantação da Républica e assim por diante. Evidentemente que se torna uma “chaga” que dilacera o povo português que o foi privando à educação e ao acompanhamento das tecnologias desenvolvidas na Europa. Vicios do Poder e da burocracia, contribuiram para o obscurantismo e estagnamento da sociedade lusa.
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O texto descrito, a seguir, são parte de um documento que se encontra, arquivado na Torre do Tombo, incompleto, por deterioração de algumas páginas. 
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Não se conhece o autor da denúncia dirigida a el-Rei de Portugal. No documento está designado o nome de Lopo Soares e teria sido escrita entre 1516 a 1528. (Torre do Tombo, V.X. Gav. XIX-XX, Maços 1-7, pág. 504 a 508, centro E.H. Ultramarinos da Junta de Investigações Científicas do Ultramar. 1974-Gubekian XVI). O texto é fiel, apenas para facilitar a leitura, foi transformado, em parte, para a ortografia actual.
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CARTA PARA EL-REI COM NOTÍCIAS DA ÌNDIA
<< Até aqui não me atrevi de escrever a Vossa Alteza tão compridamente como eu  desejava porque não ousava das cousas que se fazem contra serviço de Vossa (sic) Alteza e agora por ver passar tanto mal como se passa e por descargo de minha consciência  vos dou conta  beijando-vos  as mãos não dando conta a ninguém disto que por este medo  não esperei a Vossa Alteza  mais cedo e assim que faço saber a Vossa Alteza que Lopo Soares  veio à Índia  em hora minguada assim ele como quantos capitães  com ele vieram e assim outros homens  de valia porque o seu cuidado e o seu imaginar não é outro senão chatinar...>>
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<<... e matam-nos e roubam quanto acham e disto dizem que o leva alguma fazenda e vai para Calecute  ou para Canenor  é espiado em tal maneira como desaparece de Cochim logo é tomado destes  macúas, porém, sempre ouvi dizer que semear trigo em ruim terra que não pode dar bom fruto...>>
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<<…a Vossa Alteza e estes  que dele esperam se gabou ele, que dera a cada um de ganho sete ou oito mil pardaos e ele é  um grande ladrão descarado porque qualquer fazenda que ele pode achar de Vossa Alteza apanha-a e recolhe-a para si e com os favores que ele tem com os alvarás de Vossa Alteza  com o proveito que faz ele isto porque nele não há fé nem lei senão quanto me parece que e agora mais gentio que dantes  e por aqui saberá Vossas Alteza e mais Lopo Soares o que requereu que fosse com ele a Ceilão e ele fugiu...>>
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<<...mande Vossa Alteza olhar por isso e assim se Vossa Alteza a acha grande quebra de pimenta verde porque assim como a colhem deitam-na  dois  ou três dias ao sol e logo a pesam e esta quebra desta pimenta não foi senão depois que fizeram pazes com Calecut e bem pode Vossa Alteza quer ter boa pimenta defenda que nenhum homem com ela não trate só pena da cabeça e isto qualquer homem que seja porque todo o mais passa por pretae portanto Vossa Alteza não deve de dar a nenhum homem nenhum só quintal de pimenta para nenhuma parte que seja porque com o favor da pimenta que lhe Vossa Alteza dá carregaram quanta querem e portanto  Malaquias se gabou e amostrou que não nem mandava por pimenta à Índia que lha levavam quanta ele queria que carregava as suas naus e depois de carregadas amostrou duas casas...>>>
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<<..e isso mesmo o feitor de Goa que se chama Rui Costa que agora vai por capitão duma da naus de André Afonso que quando veio de Portugal não trazia um vintém de seu e em dois anos que foi feitor de Goa dizem que leva vinte mil cruzados e assim que devia Vossa Alteza de lhe tomar a conta em que ganharam tanto dinheiro em tão pouco tempo assim a ele como aos outros e Vossa Alteza mandasse castigar alguns deles se guardariam de meter as mãos na Fazenda de Vossa Alteza...>>
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<<... a Índia de arte que ela estava quando veio Lopo Soares mande fazer boa guerra e logo terá boa paz porque já ninguém não vos a modo que qualquer cabrão que errar queimá-lo a assá-lo e crucifixá-lo o que os outros que ficaram vos temerem e logo teres a Índia apaziguada que esta paz que Lopo Soares pôs por a Índia neste ponto em que ela agora está porque nunca matou nem mandou matar mouro senão cristãos enforcar e cortar mãos...>>
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<<...porque andam cá uns poucos fidalgos mamões que nunca viram nada nem nunca sairam das abas de suas mães e cá são capitães de naus e de galés e assim que estes homens que Vossa Alteza houver de mandar sejam como disse que sejam de boa raça cavaleirosos e que folguem de ganhar honra e que tenham e que tenham medo de Vossa Alteza lhe mandar cortar a cabeça porque os fidalgos dizem todos que não vieram à Índia ganhar honra que com eles nasceu senão dinheiro e assim não trazem o sentido senão em comprar e vender e como mandaram para a China e para Ormuz e para outras quaisquer partes...>>
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<<... em Cochim disseram que aquela mercadoria que a compraram de seu dinheiro que el Rei não teverá dinheiro para a comprar e assim que vo-la tornaram a vender sendo ela vossa e assim que como com o vosso dinheiro vos pagavam e guardavam o ganho para si e se alguma mercadoria vossa vem misturada com as das partes dizem que é da Vossa Alteza e assim tomam outra tanta da vossa são para si e fica a pôdre para vós e assim que nunca se perde tudo é de Vossa Alteza e o seu sempre fica...>>   
                               
 INTRIGA NA ÍNDIA

Afonso de Albuquerque além de homem honrado e de grande valor é um guerreiro imbatível. Depois de ter conquistado Ormuz em 1507, Goa em 1510 e Malaca em 1511, sonha e tornou realidade o sonho de criar  um império, português, na Ásia. 
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Em 1509 pelos seus tão grandes feitos sucede, com título de Governador da Índia   ao vice – Rei D. Francisco de Almeida. 
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O nome de Albuquerque foi respeitado e temido em todo o Oriente e, porisso tem imensos inimigos que minam a sua imagem, ilustre, na Corte do Rei D-Manuel I. 
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D.Manuel I aceita as mentiras, tira-lhe o Governo e entrega-o a Lopo Soraes  que era o seu mais directo rival. Albuquerque não conseguiu sobreviver  ao desgosto e à humilhação e morre em 1515 na baía de Goa.
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Os fidalgos do tempo da sua governação e aqueles que não foram depostos das suas funções depois de ter falecido, Albuquerque, continuaram a ser-lhe fieis, embora, como é óbvio, Lopo Soares, persegue-os e tolhe-lhes os os seus movimentos.  
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São homens de Albuquerque que escrevem cartas a D.Manuel I, que pouco ou mesmo nenhum efeito produzem as acusações na corte. O rei está com Lopo Soares. No entanto este colhe os frutos, deliciosos, da conquista do grande General.
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Os interesses pela Pátria portuguesa não cuidam os nobres fidalgos da corte do Rei D.Manuel I. A anarquia instalou-se por todo o oriente e, ...<< mais cuidam dos seus ganhos pessoais do que servir a monarquia e o Povo de Portugal...>>.
José Martins - 2003